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Governo amplia alcance de proteção social para 58 milhões em vulnerabilidade
Enquanto milhões de brasileiros enfrentam desemprego, fome e violência doméstica, duas estruturas do Estado trabalham nos bairros periféricos para impedir que famílias inteiras desapareçam dos mapas da dignidade: o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e o CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). O Ministério do Desenvolvimento Social reforça a distinção crítica entre essas duas frentes que juntas formam a espinha dorsal da proteção social brasileira — e ninguém fala sobre isso.
Aqui está o divisor: enquanto o CRAS chega nas famílias que ainda respiram, fortalecendo laços antes que tudo desabe, o CREAS entra quando o pior já aconteceu — abuso infantil, violência doméstica, exploração laboral. Um previne. O outro salva. A diferença não é semântica. É a diferença entre uma infância com futuro e uma infância roubada.
Quando a casa vira armadilha
Maria tem 34 anos e três filhos. Seu marido a espancava. Quando procurou o CREAS da região, uma assistente social sentou ao seu lado — não como julgadora, mas como testemunha de que ela merecia mais. Ela não é número. São 13,5 milhões de crianças e adolescentes no Brasil vivendo em lares onde a violência respira junto. Quantas continuam esperando que alguém bata na porta com a mesma urgência que bate um punho na parede?
A rede existe. Mas a rede tem furos.
O sistema que previne: CRAS e PAIF
O CRAS é porta de entrada. Com o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF), oferece acompanhamento continuado às famílias em situação de vulnerabilidade — pobreza, desemprego, falta de acesso a direitos básicos. Não é caridade. É reconhecimento de que famílias quebradas quebram comunidades inteiras. Em 2023, o CRAS alcançou mais de 21 milhões de pessoas através de atendimento direto e grupos comunitários.
Mas algo inquieta: se o CRAS atende famílias em vulnerabilidade, por que 33% das crianças brasileiras ainda vivem na pobreza? O que falta?
Quando o pior acontece: CREAS e PAEFI
O CREAS vem depois. Ou deveria vir a tempo. Com o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e o Programa de Atenção Especializada a Famílias e Indivíduos (PAEFI), atua em situações de risco agudo: crianças em trabalho infantil, vítimas de abuso, famílias sob ameaça de violação de direitos.
A violência não avisa. Violência funciona em silêncio. O CREAS só entra quando alguém — uma vizinha, um professor, uma criança — decide falar.
O Estado inteiro é responsável por isso
Entre 2016 e 2022, o orçamento de assistência social foi comprimido. Equipes de CRAS perderam profissionais. CREAS receberam denúncias, mas nem sempre estrutura para responder. Em alguns municípios, faltam CREAS. Simplesmente não existem. Significa que crianças espancadas em cidades pequenas não têm porta de entrada para especialistas — apenas esperança de que alguém as salve por acaso.
Nós criamos essa lacuna. Nós podemos fechá-la.
O que funciona quando realmente funciona
Em municípios onde CRAS e CREAS trabalham integrados, com orçamento adequado e equipes completas, a resposta é outra. Famílias deixam o ciclo de violência. Crianças saem do trabalho infantil. Mães desempregadas encontram qualificação profissional. Não é magia. É estrutura. É decisão política.
Nós sabemos o que fazer. Falta fazer em escala.
O que a gente faz agora
O reforço do Estado em assistência social não é luxo progressista — é investimento em estabilidade. Cada real gasto em CRAS economiza dez em criminalidade, em saúde mental, em abandono escolar. Cada PAEFI que funciona é uma criança que não entra no tráfico.
Mas isso depende de você pressionar pelo orçamento, pelas contratações, pela estrutura. Conheça o CRAS e o CREAS mais perto de você. Saiba quem trabalha lá. Exija que funcionem.
Porque assistência social não é favor. É justiça.
Fonte: @mdsgovbr no X (Twitter)