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Vitórias no exterior escondem debates que faltam em casa
Atletas brasileiros conquistam medalhas e títulos internacionais a cada fim de semana, mas o investimento público em infraestrutura esportiva permanece fragmentado entre ministérios e promessas não cumpridas. Enquanto a seleção brilha nas competições mundiais, milhões de crianças em periferias seguem sem acesso a quadras, piscinas ou programas estruturados de formação.
O Ministério do Esporte celebra resultados que refletem décadas de trabalho de atletas, federações e iniciativa privada — mas raramente reconhece o custo invisível dessa performance. Quem treina? Onde? Com que recursos? Essas perguntas não ganham resposta nas redes sociais oficiais.
A história de quem chega e quem fica para trás
Mariana dos Santos começou a treinar voleibol em um projeto comunitário de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Tinha talento, determinação e um sonho. Mas aos 16 anos, quando precisou de um treinador de alto rendimento e equipamentos especializados, descobriu que sua cidade não tinha estrutura. Milhões de crianças vivem essa mesma encruzilhada: entre o potencial e a ausência de caminhos.
Enquanto isso, Brasil segue sendo potência olímpica. Curiosidade incômoda: como vencemos competições globais se faltam recursos nas bases?
Por que o esporte prospera apesar da política
A resposta está em quem realmente financia o esporte brasileiro. Empresas privadas, federações estaduais e a garra individual de atletas carregam o peso que deveria ser distribuído. O governo federal investe menos em esporte profissional do que em comunicação institucional — e os resultados vêm apesar disso, não por causa disso.
O Ministério do Esporte existe desde 2003, mas seu orçamento anual é inferior ao de uma secretaria municipal de médio porte. Dados de 2023 mostram investimento de apenas 0,08% do orçamento federal em programas esportivos. Enquanto isso, celebramos vitórias que não foram nossas para celebrar.
A pergunta que fica: se vencemos com tão pouco investimento público, o que seria possível com recursos proporcionais ao tamanho do país?
O que precisamos para virar o jogo
Países como Austrália e França triplicaram medalhas olímpicas após investir massivamente em programas de base. Nós já sabemos o que funciona. Precisamos transformar celebração em ação: financiamento estruturado para projetos comunitários, bolsas para atletas em formação, infraestrutura em cidades pequenas e médias.
Nós — como sociedade — temos chance de criar um sistema onde o sucesso internacional não seja exceção de alguns, mas expressão de uma política pública robusta. Onde Mariana não saia da quadra porque não há recursos.
O próximo passo é responsabilidade
Os resultados vêm. A questão agora é simples: vamos manter celebrando milagres, ou construir estrutura? Cidadãos, gestores e legisladores precisam cobrar do governo federal: onde está o investimento em esporte de base? Qual é o plano para os próximos quatro anos? Quem decide as prioridades orçamentárias?
O esporte brasileiro merece mais que posts de vitória. Merece um projeto de país.
Fonte: @EsporteGovBR no X (Twitter)