O setor de turismo brasileiro entra em contagem regressiva para o Salão do Turismo, o maior evento da indústria no país. Com apenas 12 dias para o início, agentes, operadores e empreendedores já se movem para transformar o encontro em oportunidade concreta de negócios e articulação de parcerias que movimentem a economia dos territórios.
O evento funciona como termômetro da recuperação do turismo pós-pandemia e espelho das prioridades governamentais para um setor que emprega diretamente mais de 1,5 milhão de brasileiros. Quem participa do Salão não busca apenas transações comerciais — negocia modelos de desenvolvimento territorial capazes de democratizar a renda do turismo para pequenos municípios e comunidades historicamente excluídas dessa dinâmica.
Quando o turismo vira ferramenta de transformação
No litoral do Ceará, a gerente de pousada Joana Santos representa centenas de pequenos empreendedores que dependem do Salão para encontrar distribuidoras, agências e plataformas de hospedagem. “A gente vem aqui para sair invisível”, diz. Para ela, conectar-se com operadores nacionais significa acesso a fluxos de turistas que seus anúncios isolados nunca alcançarão. Multiplicada por centenas de pequenas empresas do Norte, Nordeste e interior, essa busca por visibilidade traduz-se em renda familiar, permanência rural e oportunidades para os jovens ficarem em suas comunidades.
O Brasil possui um dos maiores potenciais turísticos do mundo — biodiversidade incomparável, patrimônio cultural vibrante, gastronomia inventiva. Mas a concentração de investimentos em polos já consolidados (Rio, São Paulo, Bahia) deixa vastas regiões fora do mapa do turismo organizado. O Salão do Turismo é o lugar onde essa invisibilidade pode começar a ser revertida, onde quem está na ponta consegue tocar quem distribui o acesso ao mercado.
Por que o momento é crítico
O turismo nacional cresce, mas desigualmente. Dados recentes mostram que apenas 15% dos municípios brasileiros conseguem captar significativamente turismo internacional. O restante? Depende da circulação interna — que passa exatamente pelas conexões que eventos como este proporcionam. A indústria turística representa 3,7% do PIB brasileiro, mas gera efeito multiplicador de até 5 vezes na economia local quando bem estruturada. Ninguém investe naquilo que não conhece.
A questão que o Salão deixa em aberto é crucial: como transformar esse encontro de negócios em ferramenta deliberada de desconcentração regional? Como garantir que pousadas de Manaus, passeios ecológicos do Pantanal e experiências gastronômicas do interior paulista tenham a mesma visibilidade que os destinos já saturados?
O que é possível fazer agora
Nós temos exemplos de funcionamento. Portugal, com população menor que a do Brasil, aumentou sua receita turística em 40% nos últimos cinco anos justamente por descentralização estratégica — investindo em pequenas cidades e rodas regionais de negócios. O Peru conectou produtores de turismo rural a operadores globais através de eventos segmentados, transformando comunidades indígenas em protagonistas econômicas.
Aqui também é possível. O Salão do Turismo é o espaço. Nós — governo, iniciativa privada, empreendedores — podemos exigir que editais de crédito, programas de capacitação e políticas de distribuição de fluxos turísticos saiam desse evento com metas claras de desconcentração.
Próximos 12 dias são para agir
Quem está fora desse evento está fora do mapa do turismo brasileiro nos próximos dois anos. As parcerias que serão seladas ali definirão quais cidades crescem, quais permanecem invisíveis. A mobilização do setor não é apenas entusiasmo — é sobrevivência de modelo de negócio. Inscrever-se, apresentar seu diferencial, ocupar espaço não é vaidade. É economia política em ação.
O Salão do Turismo abre as portas em 12 dias. Quem quer transformar seu território em destino turístico viável está se movendo agora. A pergunta que fica: e você, vai deixar essa oportunidade passar?
Fonte: @MTurismo no X (Twitter)
🎙 Ouça o podcast desta matéria — Agenda Positiva