Ministério da Saúde destina recursos para ações imediatas e estruturantes no contexto do Novo Acordo da Bacia do Rio Doce, que prevê R$ 12 bilhões para saúde e pesquisa nos territórios impactados pelo rompimento da Barragem de Fundão
O Governo Federal segue avançando na reparação dos danos causados pela tragédia de Mariana (MG). Nesta quinta-feira (12), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou a construção de um novo Hospital Universitário da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), que será implantado no município de Mariana. Também foi confirmada a liberação de cerca de R$ 170 milhões para ações de saúde nos municípios de Mariana, Ouro Preto, Barra Longa e Rio Doce.
As medidas integram o Novo Acordo da Bacia do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2024, que prevê R$ 12 bilhões em investimentos na área da saúde — um salto expressivo em relação à proposta anterior de 2016, que previa apenas R$ 750 milhões. Os recursos serão financiados pelas empresas Vale, Samarco e BHP Billiton, responsáveis pelo desastre ambiental de 2015.
“Estamos falando de um programa de R$ 12 bilhões com ações imediatas e permanentes para cuidar do futuro da saúde nas regiões atingidas”, afirmou o ministro Alexandre Padilha.
Novo hospital universitário em Mariana: polo de saúde, ensino e justiça social
Com R$ 220 milhões em recursos assegurados, o novo hospital universitário da UFOP funcionará como um polo regional do Sistema Único de Saúde (SUS), com atendimento de média e alta complexidade. O objetivo é ampliar o acesso à saúde especializada, reduzir filas, evitar deslocamentos e oferecer estrutura de ponta à população atingida.
A unidade será integrada ao programa Agora Tem Especialistas, que leva médicos e profissionais especializados para regiões desassistidas.
“Nosso sonho é que pessoas impactadas por esse crime ambiental se tornem médicos, enfermeiros e cuidem do nosso povo aqui mesmo, com dignidade e acesso à saúde de qualidade”, reforçou Padilha.
O hospital também será sede de um Centro de Referência para Atendimento e Monitoramento da Exposição às Substâncias Químicas, com serviços clínicos, exames especializados, acompanhamento de intoxicações e doenças químicas. Será criado ainda o Biobanco do Rio Doce, que armazenará e analisará amostras biológicas da população para monitoramento dos impactos à saúde ao longo dos anos.
Investimentos imediatos: R$ 170 milhões para municípios atingidos
Com a aprovação dos Planos de Ação em Saúde, foram liberados:
- R$ 139,8 milhões para Mariana
- R$ 14,9 milhões para Ouro Preto
- R$ 12,5 milhões para Barra Longa
- R$ 2,4 milhões para Rio Doce
Os recursos serão usados para qualificar a rede de atenção básica, saúde mental, urgência e emergência, com foco em populações atingidas pelo rompimento da barragem.
Até o final de 2026, o Ministério da Saúde destinará R$ 825 milhões em ações que envolvem:
- Construção de 60 novas unidades de saúde, incluindo UBSs, Policlínicas, CAPS e Unidades Odontológicas Móveis
- Reforço às equipes do SAMU
- Ampliação da infraestrutura e qualificação da gestão local
Reparação com justiça e investimento em futuro
Com esse pacote de medidas, o Governo Federal reforça o compromisso com a reparação integral e qualificada dos danos provocados pelo maior desastre ambiental da história do Brasil. O Novo Acordo da Bacia do Rio Doce representa não só justiça social, mas investimento em saúde pública, pesquisa, formação profissional e desenvolvimento sustentável para as próximas gerações.